Perguntas para Raphael Alves
Há quem diga que a fotografia é
uma arte, uma forma de olhar e deixar a sua visão multifacetada por vários
ângulos e formas. O olhar do fotografo seria de revelar o momento e dar uma luz
para sua obra ser questionada, apreciada e usada por outros.
De tantos fotógrafos brasileiros
famosos, as vezes o oculto se demonstra ainda mais atraente. Desta forma que se
caracteriza o fotografo Raphael Alves, cujo de logo de cara já mostra uma certa
multiplicidade em sua vida.
Manauara de nascimento e carioca
por opção. Alves se mudou para o Rio de Janeiro quando havia apenas um ano de
idade e conta que foi na cidade maravilha que seu amor pela fotografia começou
a despertar.
“Eu gostava de
desenhar heróis e assim acabei me interessando por artes. Lembro que morava no
RJ e presenciei dias exposições, uma de Rodin e uma de Monet, que eu nem sabia
quem eram, mas tinha interesse em ir e em conhecer melhor depois, tive contato
com trabalhos de fotógrafos por meios de livros e vi que era isso que queria
fazer”
Porém a vida no Rio de Janeiro
durou até os 16 anos, quando sua mãe resolveu voltar a Manaus. Alves lembra que
assim que chegou na capital amazonense enfrentou um dos piores momentos de sua
vida “minha mãe se aposentou e uma pessoa a
enganou e roubou o dinheiro que ela havia investido... foi uma fase difícil de
mudanças e reconstrução, mas aprendemos e nos fortalecemos muito com tudo
isso”.
A formação em jornalismo na
Universidade Federal do Amazonas (UFAM) veio por conta da fotografia e isso
resumiu o seu trabalho. E foi assim que foi se tornando um dos fotógrafos com
mais destaques nas emissoras de comunicação e nos jornais locais. Se tornou
fotojornalista no Jornal Acrítica – o maior jornal impresso do Amazonas e em
2010 fotografou uma cena de uma família saindo de um incêndio em uma época
aonde a chuva foi escaça na capital. O que levou a adquirir o premio de The
Best of Jounalism da Society News Design no mesmo ano.
Porém após anos sendo fotojornalista nos
maiores veículos da cidade, resolveu que era hora de mudar de ares e apostar na
“fotografia autoral”. Porém garante que mesmo mudando, não deixou o jornalismo
de lado.
Eu nunca deixei o
jornalismo e o trabalho autoral sempre andou lado a lado. Mas conforme fui
amadurecendo como pessoa, percebi que tinha mais coisas a questionar e o
jornalismo diário me proporcionava apenas uma parte disso. O trabalho autoral
sao as minhas questoes, inquietações, duvidas. É o espaço em que me sinto livre
para perguntar.
O Manauara além de pós graduado
na Universidade Estadual de Londrina (UEL), é mestre pela London College of Comunication em fotojornalismo. E a foto
de seu Trabalho de conclusão de curso foi uma obra “Quanto as agua” em 2015 e
uma de suas fotos chegou a protagonizar matérias do The Guardian da Inglaterra
e o jornal El País da Espanha. a foto premiada, um menino
tenta subir em uma balsa abandonada após mergulhar no rio Negro, em Manaus. Ao
ser questionado sobre o sentimento que a foto impactou no mundo, Alves foi
sucinto.
“Eu gosto de pensar
que o conjunto da obra teve impacto. Porque eu não penso em uma foto, mas num
corpo de trabalho. O projeto Quando as Águas foi premiado na "Convocatoria
Iberoamericana de Proyectos de Fotografia" e foi exposto em todos os
países ibero-americanos.”

Resultado de um trabalho de conclusão de mestrado da London
College of Comunication, foto Tirada em 2015 é vencedora do Prêmio de
Fotografia Internacional do Ano.
Além do mestrado, o fotografo
coleciona mais um título com sua obra, recentemente obteve o Prêmio Pictures of the Year International (POY) Latam
Barcelona, uma das premiações internacionais de fotografia mais conceituadas e
respeitadas no mundo, promovida a cada dois anos. A fotografia “Emergindo”, da
série “Riversick”, foi como uma das três melhores imagens da categoria “Vida
Cotidiana – Individual”, concorrendo com 1.321 fotografias dos mais renomados
fotógrafos de vários países.
A fotografia para alguns pode ser apenas tirar foto, não
para Raphael Alves. Que mesmo tendo vivido um pouco de cada no mundo, entre
lutas e alegrias como o de ganhar sua primeira câmera nova apenas em 2015.
Alves ainda sente que tem de o desbrava-lo e a sua arte é mostrar para todos a
visão que ele tem da Amazônia e também de toda uma cultura até então pouco
conhecida.
1- Como e quando você começou a se interessar pela fotografia? Ainda na adolescência... eu gostava de desenhar herois e acabei me interessando por artes... lembro que morava no RJ e presenciei dias exposições, uma de Rodin e uma de Monet (eu nem sabia qm eram, mas tive interesse em ir e em conhecer melhor depois) ... do interesse em artes, tive contato com trabalhos de fotografos por meios de livros e vi que era isso que queria fazer
2- O que a fotografia
significa para você? Mais que meu trabalho, é a forma pela qual melhor me
expresso. É como se fosse minha língua-mãe
3 – Você se formou na UFAM, o que te fez optar
em cursar comunicação social e seguir na área de jornalismo? Eu escolhi
jornalismo pelo meu interesse em fotografia... achei que o curso me
proporcionaria maior proximidade com o q eu queria fazer dentro da
fotografia... nao me arrependo! Tive excelentes professores
4- Qual foi o momento em que você percebeu que
era hora de deixar o jornalismo tradicional de lado e se dedicar na fotografia
social? A gente fala "fotografia documental" ou "autoral".
As pessoas usam "social" mais para eventos como casamentos,
aniversário, formaturas, etc. Eu nunca deixei o jornalismo e o trabalho autoral
sempre andou lado a lado. Mas conforme fui amadurecendo como pessoa, percebi
que tinha mais coisas a questionar e o jornalismo diário me proporcionava
apenas uma parte disso. O trabalho autoral sao as minhas questoes,
inquietações, duvidas. É o espaço em que me sinto livre para perguntar...
5- O trabalho de conclusão do mestrado na
London College of Comunication o fez tirar uma foto de impacto que rodou o
mundo todo. Poderia me dizer qual foi e quais foram as críticas recebidas? Eu
gosto de pensar que o conjunto da obra teve impacto. Porque eu não penso em uma
foto, mas num corpo de trabalho. O projeto Quando as Águas foi premiado na
"Convocatoria Iberoamericana de Proyectos de Fotografia" e foi
exposto em todos os países ibero-americanos....
6- Qual foi o trabalho que o fez ganhar a 31º
edição do The Best of Journalism da Society for News Design em 2010? Foi uma
foto de capa do A Crítica. Estava sem chover há bastante tempo em Manaus e hiuve
um incendio em uma area verde na zona norte e fotografei os moradores da area
tentando conter o fogo.
7- Mesmo sendo um renomado fotografo, você
encontra dificuldades financeiras? Qual foi a última situação ruim? Você que
disse que sou renomado (hehehe). Sou um trabaalhador como outro qualquer e as
coisas que tenho devo à fotografia e aos estudos nessa área. A situação esta
dificil nao so para fotografos e jornalistas, vivemos um periodo ruim para
todos profissiinais de diversas areas. Nao sou rico, mas nao tenho do que
reclamar... eu só tive minha primeira camera nova, sem uso em 2015 ... com um
pouco de esforço. Antes tive câmeras bem usadas e seminovas (aquelas q ficam em
preteleiras e as pessoas usam p testar e as lojas vendem um pouco mais baratas)...
equipamento é caro e quem eh fotografo sempre tem um pouco de dificuldade de
comprar... ha algum tempo tramita um proj de lei para que fotografos adquiram
equipamentos com mais facilidade... espero que passe porque tem mto colega com
mta dificuldade... mas como disse, sou um trabalhador e graças a Deus consigo
me manter com meu trabalho
9- Quem você mais
admira na Fotografia? Dificil dizer. Sao tantas pessoas. Aqui no AM, tem o
Raimundo Valentim que me deu a primeira oportunidade, o sr. Luiz Vasconcelos e
o sr. Antonio Menezes que sempre me ajudaram mto qnd estava começando na
profissao... tem o alberto cesar , clovis miranda , danilo mello e o ricardo
oliveira que foram meus editores tbm e me ensinaram mto... tem o professor
Carlos Dias, que me ensinou mto na universidade... tive um professor na pos em
Londrina chamado Adair Felizardo que tbm admiro mto... nacionalmente, sou
profundo admirador do trabalho do Tiago Santana e do Joao Roberto Ripper... e
tem tantos fotografos: josef koudelka, robert frank, walker evans, diane arbus,
susan meisellas, cristina garcia rodero, alex majoli, alex webb, ernesto
bazan... Eu admiromtos trabalhos de mtos fotografos...
10- Qual sua opinião pessoal sobre Sebastião
Salgado? Acho que ele foi importantíssimo para que a fotografia fosse mais
respeitada e vista. Mas nao eh um dos meus fotografos preferidos...
11- De nascido no Rio
de Janeiro á manauara de adoção (adoção pelo fato de ter crescido na capital
amazonense), mesmo tendo viajado no mundo inteiro o seu olhar continua o mesmo
do recém-formado em jornalismo sobre o mundo a sua volta ou se sente mais experiente
sobre o que o cerca? Na verdade, nasci em Manaus e fui pro rio com menos de um
mes e depois voltei para manaus, ja perto dos 16 anos... mas sempre vinha aqui
e meu imaginario tem mta influencia daqui tbm... Nao posso dizer que rodei o
mundo... estive em alguns lugares, mas mto pouco do que há por aí. Nao posso
dizer que sou um profissional formado... alias nem gosto de dizer isso. Gosto
de pensar que meu carater, minha indole, minha forma de ver as coisas, isto é,
meu olhar está em constante formação... entao é claro que a gente muda algumas
coisas, pois aprendemos ckm outras culturas, gostos, opinioes divergentes,
criticas ....mas creio que a essencia que é a vontade de ver coisas, de guardar
essas coisas e questiona-las em forma de fotografias, continua.
12 – porque sebastião não é um
dos seus fotógrafos preferidos? Nunca
foi
Nao concordo com posicionamentos dele
Tem boas, excelentes fotos, mas o
discurso do conjunto de trabalhos nao me agrada
Acho q ele se coloca acima do proprio trabalho
como no caso do
Post a Comment